Não quero tirar onda de herói

Não quero tirar onda de herói. Ser pendurado numa cruz? Até Jesus teve medo disso. E eu, que sou só gente, sinto esse pavor também. Quem quiser que pague de herói, não desejo salvar o mundo, nem carregar o peso das expectativas dos outros sobre os meus ombros. Sigo um caminho mais simples: viver à margem, como "cowboy fora da lei",  preferindo viver a liberdade à idolatria, a verdade à fama, o silêncio à multidão.

A vida já me ensinou que ser autêntico é mais corajoso do que se sacrificar para ser lembrado. O martírio pode até render estátuas, mas e o sorriso que já deixei de dar? E os medos que poderia ter me protegido e, no entanto, reprimir só para agradar os outros? Não, obrigado. Quero viver sem a obrigação de virar exemplo para o mundo, 

Se minha escolha parecer loucura, que seja. É nela que encontro paz.

Não sou contra quem assume causas nobres, mas não quero carregar bandeiras que não escolhi. A cruz que pesa mais é aquela que alguém coloca sobre seus ombros por imposição, sem perguntar. Prefiro as marcas da poeira no rosto, de quem viveu intensamente. Não quero ser lembrado como alguém que salvou, mas como alguém que só passou por essa terra. Não busco redenção, busco coerência e virtudes. Se o mundo quer mártires, se quer heróis, lamento — sou só um retirante passando por aqui, porque o tempo também tá passando. 

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