A liberdade é o dom que me conecta ao mistério.
Creio no Eterno como fonte de tudo o que existe, mas não espero que Ele trace cada passo meu — a liberdade é o dom que me conecta ao mistério.
Essa liberdade, embora muitas vezes envolta em incertezas, é também o espaço onde floresce a consciência. É nela que escolho meus caminhos, erro, recomeço, e descubro nuances da existência que jamais seriam reveladas por trilhas pré-definidas, mas sim com base na minha própria experiência.
O Eterno, em sua vastidão, não se impõe como vigia, mas como presença silenciosa que habita o intervalo entre o impulso – a minha vontade, e a escolha. Ele não dita, mas inspira. E isso percebo na natureza criada por ele. O Eterno não exige nada de mim, ele é o Eterno, abundante, sem sinal de necessidade ou falta.
Percebendo-o assim é onde vejo residir a beleza da minha relação com ele: não há coerção, apenas possibilidade.
Cada gesto meu, por mais simples, carrega o peso e a leveza de ser fruto de uma vontade livre. E mesmo quando me sinto perdido, há uma confiança serena de que o mistério evoca consciência — para que eu aprenda a enxergar com sabedoria, justiça, coragem, temperanca. A minha fé, então, não é submissão cega, mas abertura lúcida ao invisível. É saber que há sentido em tudo que me ocorre, mesmo quando não alcanço explicação.
Quando algo desconhecido me ocorre, digo: isso me angustia porque ainda não conheço a respeito, mas procuro transformar o sentimento de angustia em vontade de crescer e me ver diante da possibilidade de aprender algo novo.
Minha relação com o Eterno também segue esse curso, não como um roteiro fixo. Para mim ele não é um mapa, previsível, mas um horizonte, cujas extradas entre eu e ele são diversas. E na direção dessse horizonte, minha liberdade dança com o mistério, e vou seguindo uma jornada única, irrepetível. Cada passo que dou é meu. Nisso encontro paz, mesmo no desconhecido, onde sinto amor. Um amor que não prende — liberta.
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