Sobre ser gentil

Durante muito tempo, eu fui uma pessoa que gostava de ajudar. Abria portas, cedia lugar, pegava objetos que caíam. Fazia isso por respeito, por educação, por acreditar que pequenos gestos tornam o mundo melhor. Mas com o tempo, comecei a perceber que nem todo mundo via isso da mesma forma.

Algumas mulheres reagiam como se eu estivesse dizendo que elas eram fracas. Outras me olhavam com desconfiança, como se minha gentileza escondesse uma segunda intenção. Isso me fez recuar. Parei de ajudar. Me tornei indiferente. Não por maldade, mas por proteção. Era como se cada gesto meu pudesse ser mal interpretado, e eu não queria mais passar por isso.

Mas mesmo assim, algo dentro de mim não morreu. Quando vejo alguém em perigo — seja físico, moral ou emocional — eu ainda me movo. Se uma mulher está sendo ameaçada, se alguém está vulnerável, eu ajudo. Porque acredito que, acima de tudo, somos seres humanos. E cuidar uns dos outros é o que nos torna verdadeiramente fortes.

Hoje, não ajudo por costume. Ajudo por escolha. Não faço gestos automáticos, mas também não deixo de ser quem sou. Aprendi que gentileza precisa de sabedoria. E que respeito não é sobre fazer tudo por alguém, mas sobre saber quando e como oferecer ajuda.

Ser gentil num mundo que desconfia da bondade é difícil. Mas sou consciente de que em algum momento oportuno isso vale a pena.

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