A inteligência do Eterno na harmonia da natureza
Visitei a Lagoa do Abaeté com minha família. Foi mais do que um passeio — foi uma experiência profunda, cheia de beleza, diversidade e reflexão. Ao chegar, fui logo tocado pela paisagem: águas tranquilas cercadas por areia clara, árvores verdes e um céu que parecia conversar com a terra. A natureza ali se mostrou viva, como se tivesse algo a dizer.
Enquanto caminhávamos, vi algo que me marcou: pessoas de diferentes religiões usando o mesmo espaço para expressar sua fé. De um lado, evangélicos celebravam o batismo de novos membros. Do outro, praticantes de religiões de matriz africana faziam suas oferendas, acompanhados por seus guias espirituais. Tudo isso acontecia com respeito, sem conflitos e na mesma lagoa. Foi bonito ver como, mesmo com crenças diferentes, todos estavam ali buscando algo maior.
Mas o que mais me chamou atenção foi algo simples e ao mesmo tempo profundo: os pombos e as aves de rapina se alimentando dos restos das oferendas lançadas na lagoa. Pareciam pequenos faxineiros da natureza, limpando como podiam aquele espaço que pertencia a todos. Foi nesse momento que percebi a inteligência do Eterno. Não nos rituais, mas na forma como tudo se conecta — até os animais têm um papel na harmonia do mundo.
Como deísta, acredito que existe uma inteligência suprema que criou tudo — o universo, a vida, a natureza. Naquele instante, não percebi o Eterno interferindo em nenhuma daquelas manifestação de fé. Isso me trouxe à consciência de que o Eterno não se importa com o que não define, ele está além de tudo o que o homem pode dizer sobre ele, além disso, tem uma forma específica, não pertence a uma religião, mas está além delas e pode ser percebido de modo mais simples. Naquele momento, olhando para a lagoa, senti que a sua inteligência sublime estava ali, não nos rituais, mas na harmonia entre as pessoas e na perfeição da natureza.
Estar com minha família tornou tudo ainda mais especial. Ver o sorriso da minha esposa e da minha filha, sentir a paz do lugar e compartilhar aquele instante foi como se o universo estivesse nos presenteando com algo sublime. Não por causa de uma ou de outra religião, mas porque a vida em si se mostrou alí.
Saí de lá com uma certeza: não importa como cada pessoa entende o divino. O que importa, para mim, é reconhecer que há algo maior, algo que nos conecta, que nos inspira a cuidar uns dos outros e do mundo ao nosso redor, a exemplo dos pequenos faxineiros. E às vezes, tudo o que precisamos para sentir isso é parar, observar e deixar a natureza falar.
Comentários
Postar um comentário