Ser aluno não é repetir, cegamente, o que o mestre diz e faz, implica, principalmente, em perguntar para entender.

Muita gente fala sobre discipulado (processo pelo qual o discípulo segue para aprender a ser como o seu mestre), como se fosse apenas seguir alguém — repetir suas palavras, obedecer suas regras, imitar seus passos. Mas será que isso é suficiente para crescer de verdade? Na minha opinião, o discipulado precisa ser mais do que obediência e imitação. Ele deve ser uma jornada de descoberta, reflexão e liberdade.

Sou aluno, e isso me faz pensar ainda mais sobre o que significa aprender. Para mim, ser discípulo é buscar sabedoria, não apenas repetir o que me dizem. É ter coragem de questionar, de pensar com a própria cabeça, mesmo quando isso vai contra o que a maioria acredita. É praticar a temperança — o equilíbrio — para não agir por impulso, mas com consciência. E é viver com justiça, tratando os outros com respeito e buscando o que é certo, mesmo quando isso custe algo importante para nós.

Não sigo alguém esperando milagres ou promessas de salvação. Meu caminho é outro. Ser discípulo, para mim, é aprender com a razão, com a experiência. É observar a natureza e entender que ela ensina mais do que muitos discursos. O Mestre Jesus de Nazaré fez isso quando mandou seus discípulos olharem para as aves dos céus e os lírios do campo, em outras ocasiões ele os incentivou a observar as figueiras, as ovelhas, o céu, o sal, as pombas e as serpentes. Aprender por meio da observação é um caminho que nos leva a lições valiosíssimas.

Meu discipulado não tem templos nem rituais. Tem silêncio, reflexão e escolhas conscientes. Cada dia é uma aula, cada erro é uma chance de crescer. Eu me esforço para seguir o que é justo, o que é verdadeiro e o que faz sentido. Não simplesmente porque alguém mandou, mas porque é o certo e julgar algo certo faz parte de ser consciente.

Aprendo com pensadores, com a história, com a ciência. Mas acima de tudo, aprendo com a vida. Ser discípulo, para mim, é ter compromisso com a verdade, com o bem e com a evolução pessoal. E isso não precisa de um manual sagrado — só precisa de vontade de aprender e coragem de ser quem se é.

Como aluno, vejo o discipulado como um exercício diário dessas virtudes. Não é sobre decorar respostas, mas sobre fazer perguntas. Não é sobre seguir cegamente, mas sobre observar com os olhos e a consciência bem abertos.

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