Um Olhar Atual sobre Thomas Paine
Em A Era da Razão, Thomas Paine não apenas desafia os dogmas religiosos — ele convida o leitor a pensar. Um dos trechos mais provocativos do livro questiona por que aceitamos, com solenidade ou indiferença, histórias bíblicas repletas de violência, ordens cruéis e execuções atrozes. Se tais atos fossem atribuídos a qualquer figura humana reverenciada, diz Paine, nós os rejeitaríamos com fervor. Mas quando vêm revestidos de autoridade divina, muitos os aceitam sem pestanejar.
Essa crítica não é um ataque à espiritualidade, mas sim à forma como ela é manipulada. Paine defende o Deísmo: uma fé baseada na razão, na observação da natureza e na moral universal. Para ele, a verdadeira honra ao Criador não está em seguir cegamente revelações supostamente divinas, mas em usar a razão para buscar justiça, compaixão e verdade.
Num mundo onde ainda vemos religiões sendo usadas para justificar intolerância, violência ou submissão, a mensagem de Paine continua urgente. Será que estamos realmente honrando o divino quando ignoramos a ética em nome da tradição? Ou estamos apenas mergulhados na “credulidade da superstição”, como ele sugere?
Esse trecho de A Era da Razão é um convite à reflexão. Não se trata de abandonar a fé, mas de libertá-la. De permitir que ela caminhe lado a lado com a razão, e não contra ela.
Se você nunca leu Thomas Paine, talvez seja hora de conhecer um pensador que, séculos atrás, já lutava por uma espiritualidade mais consciente — e profundamente humana.
Para Paine, seria impossível ignorar o desconforto — ou melhor, a repulsa — diante de templos onde pregadores usavam passagens violentas como base para suas mensagens, enquanto fiéis vibrassemm, gritassem e glorificassem o “Deus dos Exércitos”. Por exemplo, quando relatos de mulheres grávidas sendo rasgadas ao meio estivessesm tratados como demonstrações da “justiça divina”. para Paine isso seria deplorável e sinal de que algo estaria profundamente errado com a comunidade de fé.
Também creio que essas cenas não deveriam inspirar louvor, mas sim reflexão e luto. A espiritualidade não pode se construir sobre o aplauso à dor. No entanto, em muitos ambientes religiosos, a violência é romantizada, transformada em espetáculo, e usada como ferramenta de controle emocional.
Thomas Paine nos alertou sobre isso. Ele viu na religião institucionalizada um sistema que, ao invés de elevar o ser humano, o afundava na superstição e na indiferença moral. Quando atrocidades são celebradas como atos sagrados, a fé deixa de ser ponte para o divino e se torna instrumento de fanatismo.
A verdadeira espiritualidade precisa se indignar com a injustiça – não importa de onde ela venha, ou onde esteja escrita –, pis nosso dever é proteger os vulneráveis e honrar a vida. Se um texto "sagrado" não nos leva a isso — se ele nos anestesia diante da dor — então é hora de reavaliar o que estamos chamando de fé.
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