Uma reflexão a partir de Thomas Paine

Desde muito cedo, aprendi a valorizar a fé como guia para minhas escolhas e atitudes. No entanto, com o tempo, percebi que nem toda interpretação religiosa conduz ao bem. Já vi pessoas usarem trechos da Bíblia para justificar violência, preconceito e exclusão. Isso sempre me incomodou profundamente. Como pode algo que deveria inspirar amor e compaixão ser distorcido para alimentar ódio?

Passei a refletir mais sobre o papel da religião na vida das pessoas. Entendi que a fé não deve ser usada como escudo para atitudes cruéis, nem como desculpa para fugir da responsabilidade moral. A Bíblia, como qualquer texto antigo, precisa ser lida com discernimento, levando em conta o contexto histórico e os valores que queremos cultivar hoje.

A leitura de episódios de guerra, genocídio, feminicídio e infanticídio no Antigo Testamento pode causar efeitos profundos na psique. Quando essas ações são apresentadas como ordens divinas, há o risco de normalizar a violência como expressão de fé. Isso pode gerar confusão moral, medo religioso e até reforçar visões intolerantes sobre o “outro”. Para quem já sofreu violência, essas passagens podem reativar traumas e provocar angústia espiritual.

Hoje, acredito que a verdadeira espiritualidade está em agir com empatia, respeito e justiça. Não é repetir versículos sem pensar, mas sim viver os ensinamentos que promovem o bem comum. Amar ao próximo, acolher os diferentes, perdoar, cuidar — esses são os princípios que devem nortear nossa conduta.

Minha fé, hoje, é feita de escolhas conscientes. Rejeito qualquer uso da religião como ferramenta de opressão. Prefiro que ela seja ponte, não muro. E se há algo sagrado, é a dignidade humana. Isso, para mim, é o verdadeiro ato de devoção.

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