A Criação como Revelação
Aprendi que tudo que precisava conhecer sobre Deus estava escrito na Bíblia Sagrada. Mas, com o tempo, comecei a pensar diferente. Olhando para o céu, para as árvores, para os animais e até para mim mesmo, percebi que existe algo muito maior do que qualquer palavra escrita pode explicar. E foi aí que entendi o que Thomas Paine quis dizer.
Paine acreditava que a verdadeira palavra de Deus não está num livro feito por mãos humanas, mas sim na criação — no mundo ao nosso redor. Ele dizia que a natureza é como uma “escritura” viva, que todos podem ver, sentir e entender, sem precisar de tradução ou interpretação. Isso fez muito sentido pra mim. Afinal, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode olhar para o sol, sentir o vento ou ouvir o som da chuva. Isso é universal. Já os livros, por mais importantes que sejam, precisam de tradução, explicação e muitas vezes acabam sendo usados para dividir as pessoas, pois cada um, em sua cultura, tem o seu.
Outra coisa que aprendi com Paine é que a linguagem humana tem limites. Ela muda com o tempo, com o lugar, com a cultura. E por isso, não pode ser usada como um meio perfeito para transmitir algo infinito, como Deus. Ele dizia que o poder infinito — aquilo que está além do tempo, do espaço, da vida e da morte — não pode ser totalmente compreendido por nós. E tudo bem. Não precisamos entender tudo para sentir que existe algo maior.
Eu também aprendi que não é errado fazer perguntas, duvidar ou buscar respostas fora dos livros. Paine foi corajoso ao dizer essas coisas, mesmo sendo criticado por muitos. Ele acreditava que a razão e a observação eram caminhos válidos para se aproximar da verdade. E isso me inspira a pensar por mim mesmo, a olhar para o mundo com curiosidade e respeito.
Hoje, quando me perguntam onde está Deus, eu não aponto para um livro. Eu olho para o céu, para o mar, para as pessoas que amo. Pois, conforme Thomas Paine disse, a criação é a verdadeira revelação. E ela está sempre ao nosso alcance, basta abrir os olhos e o coração.
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