A Loucura e a Busca pela Verdade em O Elogio da Loucura
Em O Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam mostra como aquilo que parece “loucura” para a maioria das pessoas pode, na verdade, ser um caminho para a verdade e para uma vida mais elevada. A ideia central é que o ser humano não se resume ao corpo. O texto afirma: “O corpo não é o homem, e não é ele que vive, mas a alma, que é a verdadeira vida.” Isso significa que o corpo é apenas um instrumento, enquanto a alma é o que dá sentido e identidade ao ser humano.
O corpo sente fome, sede e prazer, mas é a alma que ama, acredita, espera e busca compreender o mundo. Para quem procura viver de acordo com a razão e com a ordem natural estabelecida por Deus, é importante perceber que o corpo não deve dominar a alma, mas servir a ela.
Outro ponto importante é o desapego dos bens materiais. O texto descreve pessoas que “possuem como se não possuíssem”, ou seja, mesmo tendo riquezas ou responsabilidades, não se deixam escravizar por elas. Essa atitude mostra que a verdadeira felicidade não está em acumular coisas, mas em viver de forma simples e equilibrada, reconhecendo que tudo pertence, em última instância, ao Criador.
O texto também fala sobre os sentimentos humanos. Muitos deles, como inveja, orgulho ou ambição, nascem do apego ao corpo e às paixões. Já sentimentos como amor, alegria e esperança podem ser elevados pela alma e se tornam mais puros quando guiados pela razão. Por isso, os mais sábios procuram transformar até mesmo os afetos naturais — como o amor à família ou aos amigos — em algo que os aproxime da verdade e da ordem divina.
Há ainda uma comparação com a alegoria da caverna de Platão. O filósofo imaginou pessoas presas em uma caverna, vendo apenas sombras. Quando uma delas escapa e descobre o mundo real, tenta contar aos outros, mas ninguém acredita. O texto diz: “Os que se encontram em estado de ignorância são como cegos. Não vêem nada, ou vêem apenas sombras e fantasmas.” Isso mostra que muitos vivem sem conhecer a verdade, e quando alguém tenta abrir seus olhos, é visto como louco.
Mas essa “loucura” é, na verdade, uma forma de sabedoria. O desejo intenso de se aproximar da verdade e de Deus pode parecer exagerado, mas é sinal de uma alma iluminada. O que parece loucura aos olhos do mundo é, na realidade, a busca pela razão maior que sustenta o universo.
Em resumo, O Elogio da Loucura ensina que a verdadeira sabedoria não está nos prazeres do corpo ou nas riquezas materiais, mas na alma que procura viver em harmonia com a ordem divina. Essa “loucura” é, na verdade, o caminho para a luz e para a felicidade.
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