Ansiedade de Rejeição: Quando o Medo Fala Mais Alto
Quando eu era pequeno, sempre fui muito preocupado com o que os outros pensavam de mim. Se alguém conhecido passava e não falava comigo, eu já achava que tinha feito algo errado. Se alguém ria perto de mim, eu pensava que estavam rindo de mim. Esse tipo de pensamento me acompanhou por muito tempo, e só depois descobri que isso tinha nome: ansiedade de rejeição.
A ansiedade de rejeição é como uma voz dentro da cabeça que diz: “Você não é bom o suficiente”, mesmo quando tudo está indo bem. É o medo constante de ser deixado de lado, de não agradar, de ser criticado ou ignorado. E não é só uma insegurança passageira — é algo que mexe com a forma como a gente se vê e se relaciona com o mundo.
No meu caso, isso se manifestava em atitudes que pareciam bobas, mas que tinham um peso enorme. Eu dizia “sim” para tudo, mesmo quando queria dizer “não”, só para não desagradar. Eu anulava as minhas vontades e desejos pelos outros com receio de críticas e julgamentos. Eu me esforçava demais para ser perfeito para ter todos perto de mim. E quando alguém me dava um feedback negativo, por menor que fosse, eu ficava dias remoendo aquilo em estado de melancolia. Meu mundo desabava e a sensação era de deslocamento total e me sentia a pior pessoa do mundo.
O mais difícil era lidar com a sensação de que eu precisava me provar o tempo todo. Era como se eu estivesse em uma competição invisível, tentando conquistar aprovação, mesmo sem saber exatamente de quem. E isso me deixava exausto. Eu me cobrava demais, me comparava com todo mundo, e vivia com medo de decepcionar.
Com o tempo, percebi que esse medo vinha de experiências antigas — momentos em que me senti rejeitado, mesmo que sem intenção. Lembro-me de quando uma crítica de uma professora, na frente de todos os meus colegas, me deixou bastante envergonhado. Eu tinha 8 anos de Idade quando ela me pediu para ler, em público, a minha redação. Ao final da leitura, ela riu da forma como escrevi. Eu havia repetido várias vezes um advérbio e ela achou engraçado, mas eu entendi isso como um ato de depreciação. Lembro como isso me afetou e escrever, a partir disso, tornou-se uma grande tortura psíquica. Mas isso foi ressignificado. Brincadeiras de amigos, ou até um silêncio dos meus pais me fazia acreditar que eu não era suficiente e, inconsciente, infligir culpa. E essa crença foi crescendo dentro de mim.
Mas hoje, estou aprendendo a lidar com isso. Com a ajuda do processo de análise pessoal em psicanalise, entendi que não posso controlar o que os outros pensam, mas posso cuidar de como eu me vejo. Estou aprendendo a me valorizar, a reconhecer minhas qualidades e a aceitar que não vou agradar todo mundo — e tá tudo bem. Também estou praticando o autocuidado, falando mais gentilmente comigo mesmo e buscando ajuda quando preciso.
A ansiedade de rejeição ainda aparece de vez em quando, mas agora eu sei que ela não define quem eu sou. E se você sente algo parecido, saiba que você não está sozinho. Falar sobre isso já é um passo enorme. A gente merece se sentir aceito, mas principalmente por nós mesmos.
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