Aprendendo a ver além dos opostos
Quando comecei a refletir sobre o que significa chamar algo de “belo” ou “bom”, percebi que essas palavras não existem sozinhas. Se digo que algo é belo, é porque existe o feio. Se afirmo que algo é bom, é porque também reconheço o mau. Foi lendo o Tao Te Ching, um livro antigo de sabedoria chinesa, que entendi melhor essa ideia: tudo no mundo se define em relação ao seu oposto.
O texto explica que a existência e a inexistência se geram uma à outra, que o difícil só faz sentido porque existe o fácil, e que o alto só é alto porque existe o baixo. É como se o universo fosse feito de pares que se completam. Essa visão me fez perceber que não adianta tentar separar totalmente as coisas: elas estão ligadas, e é justamente dessa ligação que nasce o equilíbrio.
Mas o que mais me chamou atenção foi a forma como o sábio age diante disso. Ele não tenta controlar tudo, nem se prende ao resultado das suas ações. O Tao Te Ching fala da “não-ação”, que não significa ficar parado, mas sim agir sem forçar, sem ego, sem querer dominar. É como plantar uma semente: eu rego, cuido, mas não posso obrigar a planta a crescer mais rápido. Eu faço a minha parte e deixo que a natureza siga seu curso.
Essa ideia de não-ação também vale para a vida. Muitas vezes queremos reconhecimento, queremos provar que somos melhores, mas isso só nos prende. O sábio realiza sem se apegar, ensina sem precisar falar demais, e conclui suas obras sem buscar recompensa. Ele confia no fluxo natural das coisas.
Pensando nisso, percebi que viver com menos apego pode trazer mais leveza. Quando faço algo, tento dar o meu melhor, mas sem ficar obcecado pelo resultado. Se der certo, ótimo. Se não der, sigo em frente. O importante é estar presente, agir com atenção e deixar que a vida aconteça.
No fim, o que aprendi com esse capítulo é que a vida é como um rio: se eu tento nadar contra a corrente, gasto energia e me canso. Mas se aprendo a fluir com ela, descubro que o caminho pode ser mais simples e até mais bonito.
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