Deus não é outro, senão ele mesmo
Sabe quando você olha para o céu à noite e sente que tem algo maior lá fora, mas não consegue explicar exatamente o que é? Eu sinto isso também. E foi pensando nisso que comecei a entender melhor o que Nicolau de Cusa queria dizer quando falava que Deus é o “Não-Outro”, ou seja, Deus não é outro, senão ele mesmo. Ele busca definir Deus pelo que Ele não é, em vez do que Ele é, enfatizando Sua inacessibilidade e diferença radical em relação ao mundo criado. E a nossa tentativa de defini-lo escapa totalmente da realidade de quem ele é. No mesmo sentido Carl Barth afirmou: Deus é o totalmente outro.
Para Cusa, Deus não é algo que dá pra colocar numa caixinha ou definir com palavras simples. Ele dizia que o verdadeiro conhecimento de Deus vem quando a gente percebe que não sabe tudo — e que essa ignorância, quando reconhecida, é uma forma de sabedoria. Ele chamou isso de “douta ignorância”. É como dizer: “Eu sei que não sei, e isso me faz mais sábio.”
Agora, isso tem muito a ver com o deísmo. Os deístas acreditam que Deus existe, que criou o universo, mas que Ele não interfere diretamente nas nossas vidas como em milagres ou revelações. Eles acham que podemos conhecer Deus observando a natureza, usando a razão, e percebendo que há uma ordem inteligente por trás de tudo.
E aí vem o ponto de encontro: tanto Cusa quanto os deístas acreditam que Deus é muito maior do que qualquer explicação humana. Eles não tentam descrever Deus como um ser com forma ou emoções humanas. Pelo contrário, acham que Deus está além disso — que é um mistério tão profundo que só podemos nos aproximar Dele com humildade e reflexão.
Eu gosto de pensar que, mesmo sem entender tudo, posso sentir que existe algo divino no universo. E que esse “algo” não precisa ter nome, rosto ou regras fixas. Só precisa ser reconhecido como a origem de tudo — como aquele que não é “outro”, senão ele mesmo.
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