Sobre o Capítulo 1 do Tao Te Ching: Portal das Maravilhas
O Tao Te Ching é um livro chinês escrito há mais de dois mil anos, atribuído a Lao-Tsé ou Lao-Tzu. Ele fala sobre o Tao, o “Caminho”, uma força invisível que sustenta o universo. O texto ensina a viver em harmonia com a natureza, valorizando a simplicidade, a humildade e o equilíbrio. Um conceito central é o wu wei, agir sem forçar, deixando a vida fluir naturalmente. Com versos poéticos, o livro inspira sabedoria, paz interior e uma vida mais consciente.
Quando li o primeiro capítulo do Tao Te Ching, senti como se estivesse diante de um segredo que não pode ser totalmente revelado. Logo no início, o texto diz: “O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante”. Isso me fez perceber que aquilo que chamamos de Deus, ou de força criadora, é tão grande que nenhuma palavra consegue explicar por completo.
Na minha visão, o Tao é como a presença divina que sustenta tudo. Quando o livro afirma que “Sem-Nome é o princípio do céu e da terra”, eu entendo que antes de qualquer coisa existir, já havia essa energia criadora. E quando diz que “Com-Nome é a mãe de dez mil coisas”, vejo que dar nomes às coisas é como reconhecer as formas pelas quais Deus se manifesta no mundo.
O que mais me chamou atenção foi a ideia de olhar sem desejo e olhar com desejo. O texto fala: “A constante não-aspiração é contemplar as Maravilhas, e a constante aspiração é contemplar o Orifício”. Para mim, isso significa que existem dois modos de se aproximar do divino. Quando apenas observo, sem querer nada, percebo a beleza da criação — as “Maravilhas”. Mas quando busco respostas, quando quero entender de onde tudo veio, estou olhando para o “Orifício”, a origem. Ambos os caminhos são válidos, e ambos me aproximam de Deus.
O capítulo conclui dizendo que esses dois modos têm a mesma raiz, e que essa raiz é o Mistério dos Mistérios. Eu interpreto isso como um lembrete de que, mesmo que eu não consiga explicar ou entender tudo, ainda estou diante da mesma fonte divina. Esse Mistério é como um portal: quanto mais eu aceito que não sei tudo, mais consigo sentir a presença de Deus na minha vida.
Para mim, essa leitura é um convite à humildade. É como se o livro dissesse: “Você não precisa entender tudo para estar conectado ao divino. Basta contemplar, buscar e viver.” E isso é algo que qualquer pessoa pode aplicar no dia a dia — seja ao admirar o céu, ao refletir sobre suas escolhas ou ao sentir gratidão por existir.
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