Sobre o Elogio da Loucura - Parte 3


Dando continuidade à leitura de O Elogio da Loucura, percebo que Erasmo não está apenas brincando com ideias — ele está nos provocando. A cada página, ele me faz repensar o que é viver com sabedoria, o que é ser humano, e até o que é ser feliz. E o mais curioso é que ele faz isso usando a Loucura como personagem principal, como se fosse ela quem nos revelasse as verdades que a razão não tem coragem de dizer.

Uma da coisas que mais me chamou atenção foi a comparação ele fez entre o homem e o teatro. Erasmo diz que, se alguém tentasse arrancar a máscara de um ator no meio da peça, seria expulso a pedradas. Isso me fez pensar: será que a vida também é uma peça, e todos nós usamos máscaras? E se alguém tentar mostrar quem somos de verdade, será que também será rejeitado? Essa imagem me fez refletir sobre como vivemos escondendo nossas fraquezas, nossos medos, nossas loucuras — como se fosse proibido ser autêntico.

Depois, ele começa a inverter tudo: o rei pode ser um escravo, o sábio pode ser um ignorante, o feliz pode ser um miserável. E se tudo isso for só aparência? E se a verdade estiver justamente naquilo que parece absurdo? Essa parte me fez lembrar de como julgamos as pessoas pela aparência, pelo cargo, pela fama — e esquecemos que, por trás de tudo isso, pode haver alguém completamente diferente do que imaginamos.

Erasmo também fala sobre o amor próprio, e como ele pode ser o maior de todos os bens. Isso me tocou profundamente. Porque, se a gente não se ama, como pode amar os outros? Como pode viver com alegria? O amor próprio, segundo ele, é o que nos move — até mesmo nas guerras, nas artes, nas religiões. Tudo nasce de um desejo de ser lembrado, de ser amado, de ser importante. E, por mais que isso pareça vaidade, é também uma forma de loucura que nos dá sentido.

No fim, entendi que Erasmo não está dizendo que devemos ser loucos no sentido de perder o controle. Ele está dizendo que a loucura é parte da nossa natureza, e que negar isso é negar a própria vida. A loucura nos faz rir, amar, criar, acreditar. Sem ela, seríamos apenas máquinas, repetindo regras sem alma.

Por isso, continuo lendo com a sensação de que estou sendo desafiado. E gosto disso. Porque, no fundo, O Elogio da Loucura não é só um livro sobre ideias — é um espelho. E quanto mais olho para ele, mais vejo que a loucura está em mim. E talvez, como diz Erasmo, isso não seja um defeito. Talvez seja exatamente o que me torna humano.

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