Sobre o Elogio da Loucura - Parte 5
Este é o quinto texto sobre O Elogio da Loucura e vou continuar mergulhado nele. Espero não me afogar. Ao continuar mergulhando no texto, percebo que Erasmo não se limita a brincar com a ideia de que os loucos vivem melhor. Ele vai além: desmonta a pretensão humana de querer ser sábio, puro ou superior. E selecionei algumas de suas ideias para compartilhar como ele tem a pretensão de deixar claro que a Loucura é apresentada como uma força que revela nossas contradições e, ao mesmo tempo, nos protege da dureza da vida.
No texto anterior, eu destaquei um dos pontos mais fortes de sua crítica à arrogância dos homens que se julgam superiores. Erasmo escreve: “pensa que só ele é tudo, o único rico da terra, o único sábio, o único livre”. E para ele isso mostra como algumas pessoas acreditam ser melhores do que todas as outras, mas no fundo vivem isoladas, sem alegria. A Loucura, ao contrário, nos lembra que ninguém é tão especial assim. Somos todos frágeis, e aceitar isso nos torna mais humanos.
Outro trecho que me chamou atenção é quando ele compara os homens aos animais, especialmente ao cachorro: “Não se envaidece, não se orgulha, não se irrita, não se vinga [...] está sempre pronto a servir, e nunca se queixa.” Aqui, Erasmo mostra que os animais, por sua simplicidade, podem ser mais puros e honestos do que os homens. Isso me fez pensar que, muitas vezes, nossa busca por poder e reconhecimento nos afasta daquilo que realmente importa: viver com sinceridade e humildade.
Outro trecho que destaco é o de que a Loucura também aparece como consolo diante da morte. Ela nos mantém distraídos, ocupados com paixões e projetos, mesmo sabendo que tudo pode acabar a qualquer momento. “Os homens não vivem muito tempo, mas vivem como se fossem eternos.” Essa ilusão é necessária, porque sem ela ninguém teria coragem de construir nada. É como se a Loucura fosse uma amiga que nos ajuda a esquecer o medo da morte para que possamos aproveitar a vida.
Nos trechos sobre os filósofos e mestres, Erasmo mostra como a verdade é rejeitada. “Os mestres não sabem adular, e os príncipes não gostam de quem não sabe adular.” A verdade incomoda, porque ela não massageia o ego. Por isso, quem ousa ser verdadeiro é visto como louco. Essa ideia é poderosa: talvez a Loucura seja justamente a coragem de dizer o que ninguém quer ouvir, mesmo correndo o risco de ser ridicularizado.
E há ainda a reflexão sobre a vida humana como uma sequência de sofrimentos: “Como é miserável, como é sórdido o nascimento! Como é penosa a educação! [...] Enfim não há prazer que não seja misturado com mil dores.” Essa visão dura nos lembra que a Loucura é necessária para suavizar o peso da existência. Sem ela, só restaria o desespero.
No fim, Erasmo insiste na pergunta: “Quem vive melhor? O sábio ou o louco?” Depois de ler esses trechos, percebo que a Loucura não é apenas uma falha, mas uma força vital. Ela nos dá coragem para rir, amar e seguir em frente, mesmo quando tudo parece sem sentido. Para mim, essa é a grande lição: sem a Loucura, a vida seria insuportável.
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