Sobre o Elogio da Loucura - Texto 1

Estou lendo o texto de Erasmo, não consigo deixar de pensar no quanto ele escancara a hipocrisia de quem se diz sábio. A Loucura, personificada como uma deusa, fala com uma liberdade provocadora, quase debochada, mas cheia de verdades que muitos preferem ignorar. Ela não se esconde atrás de máscaras como os filósofos que fingem desprezar os prazeres da vida, mas que, no fundo, vivem deles.

O que mais me chama atenção é essa inversão de valores: os que se dizem racionais, elevados, são os mais loucos — e não no bom sentido. A Loucura, ao contrário, se assume, se celebra, e mostra que sem ela não há prazer, não há vida, não há sequer sabedoria. É como se dissesse: “vocês me rejeitam, mas tudo o que amam vem de mim”.

A crítica aos estóicos é especialmente afiada. Eles se acham superiores, donos da verdade, mas vivem isolados, negando tudo que é humano. Dizem que o sábio é mais belo que Apolo, mais rico que Pluto, mais livre que Júpiter… mas vivem como bichos do mato. Que tipo de sabedoria é essa que despreza a vida?

E o trecho final, quando a Loucura pergunta se poderia ter outro nome, é genial. É como se ela dissesse: “sou tudo o que vocês são, mas não têm coragem de admitir”. No fundo, todos somos um pouco loucos — e talvez seja essa loucura que nos torna humanos.

Comentários

Postagens mais visitadas