Um resumo dos ultimos textos sobre o Elogio da Loucura
A voz da Loucura
Quando comecei a ler O Elogio da Loucura, percebi que Erasmo não fala sozinho: ele dá voz à própria Loucura, que se apresenta sem vergonha, sem medo, como se fosse uma personagem viva. Ela diz: “Sim, sou eu mesma, a Loucura, que vos fala. E se achais estranho que eu me elogie tanto, saibam que ninguém me conhece melhor do que eu.” Essa abertura já mostra que o livro não é uma defesa da razão, mas uma celebração daquilo que normalmente desprezamos.
A Loucura explica que os sábios vivem preocupados, cheios de regras, tentando entender tudo, enquanto os loucos se divertem, amam, riem e dançam. “Quem é mais feliz, afinal?” Essa pergunta ecoa em mim. Muitas vezes, buscamos ser corretos e inteligentes, mas esquecemos de viver.
Crítica aos filósofos e aos velhos
Erasmo não poupa os filósofos. Ele diz que eles se isolam, acreditando que são superiores, mas acabam sem alegria. “Fingem ser sérios, mas vivem isolados, sem amigos, sem alegria.” No fundo, até eles são loucos, só que não admitem. Essa crítica me fez pensar em como a busca por status intelectual pode nos afastar da vida simples.
Sobre os velhos, a Loucura afirma: “Eu os liberto das preocupações, das dores da juventude, e os faço rir de novo, brincar, contar histórias.” Essa imagem é bonita: a velhice não precisa ser só tristeza, mas pode ser leve e divertida.
As mulheres e o amor
A Loucura confessa que tem um carinho especial pelas mulheres: “São vaidosas, alegres, cheias de charme — tudo graças a mim.” É claro que hoje podemos discutir os estereótipos, mas a ideia central é que a Loucura está presente no amor, na paixão, na poesia e na música. Sem ela, tudo seria seco, sem graça.
O amor, diz Erasmo, é uma invenção da Loucura. “Sem mim, não haveria paixão, nem poesia, nem música.” Essa frase mostra que a vida sem loucura seria apenas rotina.
A máscara da vida e a ilusão necessária
Um dos trechos mais fortes compara a vida a uma peça de teatro: “Se alguém se aproximasse de um cómico mascarado [...] e tentasse arrancar-lhe a máscara, não perturbaria assim toda a cena?” A metáfora mostra que a ilusão é parte essencial da existência.
Outro trecho desmonta a lógica da sabedoria: “Se não se é feliz, como se pode ser sábio? E se não se é sábio, como se pode ser estoico? E se não se é estoico, como se pode ser livre?” Aqui, Erasmo mostra que a busca pela razão pode nos aprisionar.
A vida humana e sua miséria
Nos trechos mais sombrios, Erasmo descreve a vida como uma sequência de sofrimentos: “Como é miserável, como é sórdido o nascimento! Como é penosa a educação! [...] Enfim não há prazer que não seja misturado com mil dores.” Essa visão dura nos lembra que a Loucura é necessária para suavizar o peso da existência.
Ele também critica os arrogantes: “pensa que só ele é tudo, o único rico da terra, o único sábio, o único livre.” E compara a pureza de um cachorro com a hipocrisia humana: “Não se envaidece, não se orgulha, não se irrita, não se vinga [...] está sempre pronto a servir, e nunca se queixa.”
Por fim, Erasmo insiste: “Quem vive melhor? O sábio ou o louco?” Depois de ler, percebo que a Loucura não é apenas uma falha, mas uma força vital. Ela nos dá coragem para rir, amar e seguir em frente, mesmo quando tudo parece sem sentido.
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