Quanto custa?
Quanto custa olhar o sol nascer,
se o horizonte se abre sem cobrar ingresso?
Quanto custa ver a lua se despedir,
quando o dia chega em silêncio dourado?
Quanto custa o voo negro dos pássaros,
riscando o céu como caligrafia viva?
Quanto custa ouvir o canto deles,
que ecoa sem esperar aplausos?
Quanto custa sentir o orvalho na pele,
um frescor que não se vende em mercados?
Quanto custa a brisa tocando o rosto,
um afago invisível, eterno e livre?
Quanto custa assistir às borboletas,
que dançam sem coreógrafo nem bilhete?
Quanto custa ver as árvores ao vento,
balançando com levesa como quem ora em silêncio?
Quanto custa observar as nuvens,
passageiras sem destino, sem fronteiras?
Quanto custa as flores na relva,
abrindo-se em cores sem etiqueta de preço?
Quanto custa ouvir o mar quebrando,
um concerto que não pede ingresso?
Quanto custa massagear os pés na areia fria,
cedo, quando o mundo ainda desperta?
Quanto custa se banhar no mar,
se a água abraça sem contrato?
Quanto custa respirar fundo,
inflar os pulmões com o ar da manhã?
Nada disso tem preço.
Tudo isso é dádiva.
O custo é apenas estar presente.
O ganho é infinito: paz, gratidão, vida.
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