A ética não depende da concordância pessoal, mas do respeito universal.


Eu sou hétero e também sou deísta. Isso significa que acredito em Deus como criador, mas não sigo dogmas religiosos. Por eu ser hétero, não vivo a mesma experiência das pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+. Mas isso nunca, em hipótese alguma, me dá o direito de dizer que elas estão erradas.  

Isso não me dá o direito de dizer que elas estão erradas porque o Deísmo me ensina que a razão e a ética são mais importantes do que regras impostas por religiões. Se eu usar a razão, percebo que cada pessoa tem o direito de viver sua identidade sem ser julgada ou forçada a mudar. Mesmo que eu não compartilhe da mesma vivência, eu sei que existe um dever ético: respeitar o outro.  

O Deísmo me ensina que a razão e a ética são mais importantes do que regras impostas por religiões. Por isso, para mim, respeitar a diversidade é uma consequência lógica. Cada pessoa tem o direito de viver sua identidade sem ser julgada ou forçada a mudar.  

Mesmo que eu não compartilhe da mesma vivência, eu sei que existe um dever ético: respeitar o outro. A ética não depende de eu concordar ou não, mas sim de reconhecer que todos merecem dignidade.  

O que eu disse toca em um ponto central: a ética não depende da concordância pessoal, mas do respeito universal. Ser deísta e heterossexual não significa se afastar da diversidade, mas sim reconhecer que ela faz parte da ordem natural da vida. A razão nos mostra que sociedades mais justas são aquelas que acolhem todas as pessoas, independentemente de sua orientação ou identidade.  

Quando digo que a diversidade faz parte da ordem natural da vida, quero dizer que ela é tão natural quanto qualquer outra forma de pluralidade que existe na natureza. Assim como há diferentes espécies, cores, culturas e formas de pensar, também existem diferentes formas de amar e de se identificar. Isso não é um erro ou desvio, mas uma expressão legítima da própria condição humana. O Deísmo, ao entender que Deus criou o universo com leis naturais, nos mostra que a diversidade está dentro dessas leis e deve ser respeitada.  

A própria legislação brasileira reforça isso. A Constituição garante que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Desde 2019, a LGBTfobia é considerada crime, e há políticas públicas voltadas à proteção e inclusão da comunidade LGBTQIAPN+.  

Além disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, e que ninguém deve ser discriminado por qualquer motivo — incluindo orientação sexual e identidade de gênero.  

Freud também refletiu sobre esse tema. Em seus primeiros escritos, ele classificava a homossexualidade como uma “inversão”, mas com o tempo passou a relativizar essa visão. Em sua autobiografia de 1925, afirmou que a homossexualidade “dificilmente merece o nome de perversão”. Em cartas pessoais, chegou a dizer que “não é nada de que se envergonhar” e que não deveria ser tratada como doença ou crime. Para Freud, a sexualidade humana é fluida e complexa, uma variação natural da vida psíquica.  

É importante lembrar quem foi Freud: ele nasceu em 1856, na Áustria, e morreu em 1939, em Londres. Foi médico neurologista e criador da psicanálise, um método que busca compreender o inconsciente humano. Suas ideias centrais incluem o papel do inconsciente, a importância da sexualidade na vida psíquica e conceitos como id, ego e superego. Freud revolucionou a forma como entendemos a mente e trouxe a ideia de que a sexualidade e o inconsciente são partes naturais e fundamentais da vida humana.  

Ser deísta e heterossexual não significa se afastar da diversidade. Pelo contrário, significa reconhecer que ela faz parte da ordem natural da vida. A razão mostra que sociedades mais justas são aquelas que acolhem todas as pessoas, independentemente de sua orientação ou identidade.  

Em resumo: minha postura é um exemplo de como o Deísmo pode dialogar com a pluralidade humana sem precisar de dogmas ou imposições — apenas com base na razão e na ética.

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