A oração no engarrafamento
O ônibus seguia seu caminho lento pelas ruas da cidade quando, de repente, tudo parou. Carros, motos, caminhões, todos presos em um mar de buzinas e impaciência. Dentro do coletivo, o clima não era diferente: alguns passageiros olhavam nervosos para o relógio, outros suspiravam, já imaginando a bronca por chegar atrasados.
Mas foi nesse cenário de caos urbano que surgiu uma cena inesperada. Uma mulher, sentada no meio do ônibus, levantou as mãos e começou a orar em voz alta. Pedia a Jesus que abrisse o trânsito como, segundo ela, havia aberto o Mar Vermelho para Moisés. O contraste era tão grande que muitos passageiros não sabiam se riam ou se ficavam sérios diante daquela fé tão escancarada.
Alguns trocaram olhares cúmplices, como quem diz: “Será que funciona?”. Outros balançaram a cabeça, incrédulos. E havia também quem se emocionasse, porque, afinal, cada um encontra sua forma de lidar com a espera.
O curioso é que, por alguns minutos, o ônibus inteiro se uniu em torno daquela oração. Não porque todos acreditassem que o trânsito realmente se abriria como as águas bíblicas, mas porque a cena trouxe uma pausa para o nervosismo. Era como se a fé daquela mulher tivesse transformado o engarrafamento em espetáculo.
E, de certo modo, funcionou. Não, o trânsito não se abriu milagrosamente. Mas a tensão diminuiu, as pessoas sorriram, e até o motorista relaxou um pouco. A oração não moveu os carros, mas moveu os corações.
No fim, quando o ônibus voltou a andar, descobriu-se que o motivo de toda a paralisação era apenas uma obra de reparo no asfalto da avenida. Nenhum milagre, apenas homens e máquinas cumprindo sua tarefa. Ainda assim, ficou a lembrança de que, em meio ao concreto e ao barulho da cidade, há espaço para o inesperado.
Talvez esse seja o verdadeiro milagre: transformar um momento de impaciência em uma história que vale a pena contar.
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