Milhares de pessoas...


Quando vi aquela imagem colada atrás de um carro, confesso que minha primeira reação foi de estranhamento. Não pela cruz em si, que é um símbolo poderoso e universal, mas pelo modo como ela é usada para convocar uma multidão vestida de branco em torno de um ritual específico. Como alguém que se orienta pela filosofia deísta, não consigo deixar de pensar que há uma contradição aí: se o Criador se manifesta na ordem natural e nas leis universais, por que precisamos de encenações coletivas para reafirmar essa ligação?  

Eu respeito o impulso humano de se reunir, de buscar pertencimento e de expressar fé. Mas, para mim, o verdadeiro ato de religiosidade está em viver de acordo com a razão, a justiça e a contemplação da natureza. A cruz, nesse cartaz, parece ser usada como um ponto de convergência emocional, quase como um espetáculo. E é aí que me incomoda: quando o símbolo se sobrepõe à essência.  

Não acredito que vestir branco ou estar fisicamente ao pé de uma cruz torne alguém mais próximo de Deus. algum efeito desse ato ocorrerá nos que participarem do evento, se durára ou não depende de cada sujeito, mas eu acredito  que o que nos aproxima do Criador é a consciência de que o universo segue uma ordem perfeita, e que nossa responsabilidade é agir com retidão dentro dessa ordem. O cartaz me soa como um apelo à massa, mas eu prefiro o silêncio da reflexão individual, onde não há necessidade de intermediários nem de rituais para reconhecer a grandeza da criação.  

Em suma, ao ver aquela imagem, percebi o quanto ainda confundimos espiritualidade com espetáculo. E, como deísta, reafirmo: Deus não precisa de palcos, precisa apenas que vivamos de acordo com a razão e a moral inscritas na própria natureza.

Comentários

Postagens mais visitadas