Heteronomia na adolescência explicada de forma simples


A heteronomia é quando uma pessoa faz as coisas porque alguém mandou, e não porque ela realmente quer ou entende que aquilo é importante. Na adolescência, isso acontece muito quando o jovem só arruma o quarto, estuda ou ajuda em casa se os pais pedirem. A psicanálise e a psicologia explicam esse comportamento de maneiras diferentes, mas que se completam.  

Na visão da psicanálise, o adolescente ainda está muito ligado ao que os pais e outras pessoas esperam dele. Freud dizia que nessa fase o jovem precisa aprender a lidar com seus desejos e com as regras da sociedade ao mesmo tempo. Se ele não consegue equilibrar isso, acaba obedecendo sem pensar, só para evitar problemas ou para agradar. Lacan, outro psicanalista importante, explicou que o jovem vive em relação constante com o “Outro”, que representa as figuras de autoridade. Ele só se torna realmente autônomo quando entende que pode agir por vontade própria, e não apenas para responder às ordens dos outros.  

Já o psicólogo Jean Piaget estudou o desenvolvimento moral das pessoas e disse que, quando somos crianças, vivemos em um estado de heteronomia moral. Isso significa que seguimos regras porque os adultos mandam e achamos que elas são absolutas. Com o tempo, se tudo corre bem, passamos para a autonomia moral, que é quando entendemos que as regras são criadas pelas pessoas e podem ser discutidas e ajustadas. Para Piaget, a autonomia aparece quando o jovem age por convicção, e não por medo ou obrigação.  

A psicanálise e Piaget concordam que a heteronomia é uma etapa natural, mas que precisa ser superada. O adolescente precisa aprender a pensar por si mesmo, entender o sentido das regras e assumir as consequências de suas escolhas. Isso acontece quando ele começa a se expressar, a refletir sobre o que quer e a perceber que pode agir de forma responsável sem depender de ordens externas.  

Em resumo, deixar de ser heterônomo é aprender a ser dono das próprias decisões. É o momento em que o adolescente passa da obediência cega para a responsabilidade consciente, tornando-se sujeito do próprio desejo e das próprias ações.  

Referências

Freud, S. (1905/1996). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago.  
Lacan, J. (1953/1998). Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.  
Piaget, J. (1932/1994). O juízo moral na criança. São Paulo: Summus Editorial.

Comentários

Postagens mais visitadas